segunda-feira, 10 de setembro de 2012

E agora Portugal?

A minha geração foi enganada. Crescemos na ilusão de que se estudássemos muito e fossemos para a universidade tínhamos a vidinha feita e um futuro sem problemas de maior. Crescemos a ver os nossos pais com o mesmo emprego durante anos e este era para toda a vida. O dinheiro caía certo todos os meses. O futuro era sempre visto com optimismo e prosperidade. Foi a geração da entrada de Portugal na CEE, das auto-estradas, do abandono da agricultura, ou pelo menos do desprezo por esta. Pensava-se que os 10 anos seguintes seriam sempre melhores do que os actuais. E as pessoas tinham fé, ou confiança cega, de que o futuro ia ser melhor para os filhos do que foi para eles. A minha geração foi pós 25 de Abril e tomámos tudo por garantido e o céu parecia-nos o limite. 

E assim, do nada, 70% da população tinha “ casa própria”, os empréstimos a 25 anos ao banco tornaram-se parte da cultura portuguesa. Ter casa era, acima de tudo, obrigatório para qualquer palminho de gente. Esse passou, para nós, a ser o rumo natural das coisas, porque foi o que os nossos pais tinham feito também. Depois do crédito à habitação, foram os cartões de crédito e a lenga lenga do dinheiro à mão e acessível. E de repente, achámos que éramos todos ricos. Por isso, como país rico que pensávamos ser, desvalorizou-se o ensino técnico e os ofícios. Achava-se que esse tipo de profissões eram menores e que estávamos a pensar pequenino. Mecânicos? Eletricistas? Carpinteiros? Nada disso! Essas profissões eram socialmente pouco consideradas, ao contrário do que acontece com países mais desenvolvidos. E assim, as escolas técnicas transformaram-se em liceus, porque achava-se que o país precisava era de doutores. Muitos doutores!

Assim, naturalmente, muitos de nós chegámos ao 12º e sabíamos que o caminho óbvio era ir para a universidade e estudar para ser “ alguém”, isto é, ter um canudo debaixo do braço. Pensava-se que a emigração era para a geração "mala de cartão" ou da “Mãe querida”, ou seja,  para as tais profissões “menores” mas nunca para os “doutores”. Enquanto olhávamos por cima do ombro para esses trabalhos, outros países como a Alemanha, iam crescendo e desenvolvendo-se, não só à conta das profissões de colarinho branco mas também e sobretudo com os ditos trabalhos “menores”.

O nosso país ia mudando e encontrar emprego para nós já não era tão fácil como tinha sido para os nossos pais. Contudo, ainda se encontrava alguma coisita, nem que fosse trabalho a 600 euros. E aí nasceu a geração dos call-centres porque não havia já emprego para tantos “doutores”. De ano para ano, começou a complicar e quem saía das universidades tinha cada vez menos oportunidades de emprego, dentro ou fora da área em que se tinha formado.

As gerações posteriores à minha, que agora terminaram a universidade, ou os que estão à procura de emprego, têm uma realidade sombria e que não se vislumbra uma solução. Nesta Sexta-feira então, perdi a minha fé. Muitos dos jovens não têm emprego e quem tem, tem medo de o perder e vive-se angustiado com isso. Os nossos pais, hoje reformados, vivem com menos dois salários do que antes. A emigração é mais vista como uma saída e talvez a única possível neste momento para quem tem uma mão cheia de nada. Ter filhos, então é visto com uma loucura, nesta sociedade tão instável e tão doente e a natalidade está mais baixa do que nunca.

Um país bafejado por tanta beleza, bom clima, boas gentes, heróis do passado, vai acabar assim? E agora Portugal?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Os junkblogs

Quando comecei o blog há 6 anos atrás tudo era muito mais pacóvio e simplezinho. Nós escrevíamos e alguém nos lia. Esperava-se que tivéssemos comentários, esperava-se que achassem que o nosso texto estava bem escrito e que tivéssemos visitas.

Hoje está tudo de pernas para o ar. Os blogs são autênticas montras de publicidade. Em cada 10 posts, 9 são com passatempos, publicidade camuflada e torna-se constrangedor abrir uma página de blog e aquilo estar minado de publicidade por todos os lados. Nos últimos tempos então, já não há paciência para a quantidade de bloggers que agora acham que são fashion advisers e que dão palpites de moda e parecem todas iguais. Todas vestidas pela HM, Zara e Primark.

Eu ainda sou do tempo em que a Pipoca comprava sapatos a 10 euros e que escrevia 10 posts interessantes e com sumo por semana. Todos os dias abria o blog dela e sabia que invariavelmente estaria um texto com piada, irrepreensível e com uma escrita totalmente clean. Era mais uma de nós, uma mulher como todas as outras e isso causa empatia com os leitores. Ou o blog da Cocó na fralda que escrevia com graça sobre os filhos e das suas aventuras como mãe, em vez de fazer campanhas ao Skip e outras marcas. Então do blog Mini-saia, nem se fala! Passemos à frente.

Tudo ok... escreve-se, perde-se muito tempo e é legítimo que se queira ter algum benefício, mas há certos limites. Escrever no blog sobre um produto que se gosta, usa e recomenda (como faz a Maçã de Eva), acho muito bem. Escrever no blog que o produto XPTO é maravilhoso e que usa desde pequenina, quando não se usa, isso é ser totalmente desonesto com os leitores, principalmente porque não é evidente que é “publicidade”.

Há 6 anos atrás esperava-se uma opinião isenta, hoje em dia, sabe-se que isso não é bem assim. Os blogs parecem uma TV Shop disfarçada e os textos são fraquinhos e pouco há para ler. A popularidade é muito mais à conta de passatempos e fama do passado que fazem explodir as visitas do que propriamente textos engraçados e bem escritos. Há ainda alguns blogs que sobrevivem a isso, que conseguem boas visitas e estão no meu top (como o Quadripolidades, viva a ursa!). Estes resistem a todo o custo a este novo fenómeno que são o do junkblog, ou seja, blogs que eram bons e que agora mais parecem catálogos da La Redout.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A Lucy e o Djaló

A história de amor deles tinha tudo para vender. Ele jogador da bola, ela cantora/actriz. Ele preto e ela branca e loura. Em comum têm o facto de não deverem muito à inteligência e terem sido, desde o inicio, cordeirinhos e autênticas marionetas nas mãos das revistas.

Desde que apareceram juntos pela primeira vez e assumiram o romance que não havia semana nenhuma que não apareciam em revistas. Meteram o pão e a manteiga na mesa de muitos “jornalistas” que para aí andam e deviam achar que a fama lhes traria benefícios, a exposição abriria portas ou então tinham apenas sede mediática.

Eram trocas de amor eterna, eram “L’s” sempre que o Djaló marcava um golo, era a Lucy com um boneco preto na bancada. Depois, a filha com um nome que valhe-me nossa Senhora e isso foi motivo de músicas e de paródia nacional. Veio ainda “O Último a sair” em que a própria Lucy se sujeitou a gozar com ela própria e com o seu “chocolate” (palavras dela, atenção), foram os inúmeros vídeos com a Rueff a fazer de Lucy a gozar com o “preto”, foi a ida para Nice, mais uma filha com outro nome bizarro e a gota de água a participação da Lucy no programa da TVI e a sua crescente popularidade.

O Djaló é jogador da bola e mulher de jogador da bola, está normalmente na sombra. É boa, estilo calendário de oficina e normalmente está caladinha. Ora a Lucy é pêlo na venta (expressão linda), sempre gostou das luzes da ribalta e longe vão os tempos em que fazia de Floribella e que cantarolava que o que era bom era ser pobrezinha. O Djaló passou então a marido da Luciana e então chateou-se com a popularidade da mulher, principalmente quando ninguém lhe passava cartão e estava constantemente no banco a ver os coleguinhas a jogar.

Finalmente os episódios que se seguiram, com direito a comunicados na impressa de ambas as partes, acusações mútuas, a luta pelo Panamera, assaltos, acusações de traição.... e as revistas a vender que nem pãezinhos quentes.

Puseram-se a jeito...valeu a pena?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

facebook

Hoje vivemos numa era rodeada por redes sociais e novas palavras surgiram no nosso vocabulário. O facebook veio alterar o modo como se fazem notícias, política e as relações pessoais. A adolescência perdeu parte do encanto ao perder os papelinhos passados nas aulas por entre os livros com mensagens e declarações de amor. Os pedidos ridículos do “posso-te conhecer” eram quase um rito de passagem que todos os adolescentes tinha que enfrentar quando queriam conhecer o giraço da escola. Hoje as coisas estão bem mais fáceis e tudo está à distância de um clique.

O facebook muito mais do que revolucionar a vida dos adolescentes tornou-se algo diametral à sociedade e é utilizado por todas as idades. O facebook não exclui ninguém e criou um sentimento de pertença, a ideia de que todos fazemos parte de alguma coisa, deu uma ilusão da proximidade, fomentou a rapidez das mensagens, passou para um ecrã a ideia lírica da vida como um livro e da possibilidade de que tudo pode ser documentado. E essas foram, para mim, as razões do sucesso. Se no facebook se encontram antigos colegas de escola e faculdade, se comunicam com amigos, se encontram amores, também há o lado negativo da exposição excessiva da vida privada que leva a perda de amigos e de namoros e mesmo de casamentos. “Desamigar” alguém pode ser um rude golpe numa relação interpessoal. E não há produto, serviço, blog (como o meu!!), programa de televisão, filme, jornal, revista ou rancho folclórico da terrinha que não tenha uma página no facebook.

Eu ainda sou do tempo em que se ganhavam eleições com porcos no espeto, a darem bandeirinhas e aventais de plástico e bonés pelas feiras. Era ali, no terreno, de manga arregaçada e em contacto com as bases dos partidos que se ganhavam ou perdiam eleições. Hoje em dia, a própria política está alterada e quase todos os políticos tem páginas de facebook e é por ali que se caçam votos também. Até o próprio Presidente coloca post oficiais no seu mural. Imagine-se lá! E isso vindo do nosso Presidente tão “uncool” parece-me que está na hora de procurar outra rede social porque já estamos a bater bem no fundo. Isso e quando recebemos pedidos de amizade de tios cotas e daqueles familiares afastados ou ex colegas da escola muito chatinhos que só sabem publicar coisas deprimentes e frases cheias de reticências totalmente “non sense”. Para além disso, ainda testam os meus limites de tolerância e de perdão com trezentos mil pedidos para jogar no Farmville e outros jogos do género. Aí, penso muitas vezes se não estará na altura de mudar para outra rede social.

Mas, o Hi5 está completamente obsoleto é só para engates e basicamente para que todas as Sónias Andreias deste mundo possam mostrar o rabo ou as mamocas, o Myspace é para músicos, o Orkut só se ouve falar no Brasil, o Linkedin é para o trabalho, o Google + não sei bem para o que é que serve, a Smallworld para pseudo jetset...as opções tornam-se poucas.

O facebook começou com uma ideia clean e privada inicialmente só para estudantes universitários e aos poucos foi ganhando espaço e popularidade. Hoje com a cedência da publicidade, aplicações externas, jogos coloridos, sermos forçados a ter o timeline por se encaixar melhor na publicidade, parece-me que caminha para o abismo. Isso foi precisamente o que aconteceu com o Hi5 quando se ”abimbalhou” e tornou possível a qualquer pessoa ” kitá-lo” e foi a desgraça total de ver perfis pessoais idênticos aos carros tunings. Assim, o Hi5 passou de uma das redes sociais mais populares a uma memória distante. De “cool” passou a cair em desgraça e tresandar a mau gosto e a perfume patchouli.

Quanto ao facebook parece que a realidade e a ficção se entrelaçam e o que é real é o que é publicado... enquanto não aparecer uma rede social mais cool estou no facebook, logo existo!

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Atina-te Cristiano!

Um salário milionário, prémios de melhor jogador do mundo, milhões ganhos só em publicidade e prémios, uma namorada boazona, vários carrões, casas de sonhos ( e com jardim!) e um mundo a seus pés. Ok, pronto, tem a chata da sôdona Dolores, as irmãs, o cunhado e afins sempre à perna, mas não podia ter tudo de bom, não é verdade? Pelo vistos, não lhe chega, quer mais e então amuou!
Agora vir a público, tal qual menino mimado e dizer que está chateado porque aparentemente os coleguinhas da equipa não lhe passam cavaco..Enfim! O que foi? Não o convidaram para uma bica no final do treino? Compraram um bolinho e não lhe deram uma fatia? O Ronaldo com o ordenado que ganha, bem pode engolir esse sapo e todos os sapos do mundo que só lhe faz é bem! Ó Cristiano, a sério, vai apanhar bananas!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

"You must come for dinner"

É corrente dizer-se que os Ingleses são indirectos ou um pouco labirínticos na forma de dizer as coisas. Nós,  portugueses somos mais frontais na forma de comunicar e é mais pão pão queijo queijo. Nós não fazemos cerimónia com as palavras, poderemos ser brutalmente honestos e isso, por estas bandas, não é propriamente uma característica muito positiva. O que é uma qualidade para nós, não o é necessariamente para eles.Esta forma de pensar choca, de uma certa forma, com a nossa maneira de viver e esta tem que ser adaptada à cultura deles para que se possa viver socialmente sem se ser considerado um pequeno boçal.

Pois esse marco cultural leva por vezes a confusões como a que hoje vos trago aqui. “ You must come for dinner” é algo que se ouve recorrentemente quando conhecemos alguém num jantar de amigos e já se tem um nível mínimo de confiança. Estávamos há poucas semanas em Inglaterra quando no final de um jantar de colegas do marido alguém se sai com “ you must come for dinner”. Eu sorri e achei verdadeiramente simpático convidarem-nos para um jantar porque estávamos cá há pouco tempo. E eu respondi qualquer coisa em inglês como “ Ai que simpático, com certeza! Nós levamos uma sobremesa tipicamente Portuguesa”. As semanas passaram-se e o convite NUNCA chegou de facto. Achei estranho. Tinham sido tão simpáticos e disponíveis o que se teria passado? Bem, essa dúvida permaneceu incógnita durante muito tempo, até que em conversa com uma inglesa comentei o que se tinha passado e finalmente fez-se luz. Aprendi que esta frase é uma autêntica casca de banana linguística para estrangeiros. Dizer “You must come for dinner” ( têm que vir jantar a nossa casa) não significa rigorosamamente nada para um Inglês. O que eles querem dizer na verdade é “ isto não é convite, apenas estou a ser educado”, no entanto o que nós entendemos é “em breve vou ser convidada, só falta marcar o dia!”

Soubesse eu isso e teria-me poupado o mau aspecto de ter dito que levava a sobremesa. Dá-me  ataques de riso ao pensar que a tal pessoa pensou quando eu disse “ You must come for dinner” e lhe digo que levávamos uma sobremesa. No míninimo deve ter  achado insólita a minha resposta e naquele momento o cérebro dele deve ter feito um nó. No fundo, nós Portugueses, também temos algumas frases como “ tudo bem?” quando na prática esperamos sempre a mesma resposta, “ sim, tudo bem”.Se alguém um dia disser ao nosso “ então, tudo bem?” qualquer coisa como do tipo,” Por acaso até não. Acabei de me espatifar com um carro emprestado, fui despedido há uma semana e a minha mulher deixou-me e anda agora com um ucraniano”. A nossa reacção óbvia é de espanto, não pelo ucraniano em si ou pelos azares todos, mas por ter respondido ao “ tudo bem?” com algo diferente ao que estaríamos à espera! Os nossos códigos sociais não estão formatados para este tipo de resposta.

Por isso reflectindo, eu até percebo que haja frases de algibeira que se usem socialmente quando na prática queremos dizer outras coisas. Em português há poucas desse género e a nossa língua não está encriptada como a inglesa e cheio desses jogos de sombras. Quando nós portugueses convidamos alguém para jantar, na prática temos intenções disso e o nosso desejo é real! Agora, falar de comidinha a um português e acenar a possibilidade de convívio, quando na prática não significa coisa alguma, isso meus amigos, é um golpe baixo...e isso não se faz!

sábado, 1 de setembro de 2012

O Criativo

O nome Dele, acreditem, é o que menos interessa nesta história. Há pessoas que tiveram o privilégio de privar com gente ilustre, internacionalmente reconhecida, gente que mudou o rumo da civilização, eu tive oportunidade única de conhecer “ O Criativo” e melhor, partilhei a casa durante dois anos com ele!Falar Dele não é falar de um criativo qualquer, é nem mais nem menos do que o “autêntico”.

Mas antes de começar a definir o que é um “Criativo”, vou às origens do Mito.Ele ( o criativo) foi chamado para uma reunião do Centro de Emprego, após estar meses e meses desempregado, depois de ter tirado um proeminente curso da Etic ( não sei bem de quê) que dá equivalência ao 12º ano.
Chegou a entrevista e a psicóloga do centro que fazia as entrevistas disse:
-Bem, analisei o seu curriculum
(com o teu aspecto tísico de 50 kilos para um metro e 1,70 e tal, com essa roupinha que sinceramente.. já te mancavas - calça tamanho 34 a cair pelo rabo, all star podres vermelhos, riscado com canetas , camisola de carapuço verde e um gorro à BOB Marley na cabeça, barba por fazer de 5 dias, olhos de ganzado, cirroso ou coquinado, ou então tudo junto.... mudança de curso 3 vezes, em três cidades diferentes, curso na Etic ... nenhum emprego enquanto estudava, nenhum part-time... pouca iniciativa... não sabe fazer um "CV"... só me saem é cromos! )
...e tenho uma oferta de emprego para si!
- (Hum...publicitário na BBDO no mínimo.. 3000 euros de ordenado, mais extra, computador, telemóvel e carro da empresa, viagens pagas ao estrangeiro...Ui que bom!)
Então o que se trata?
- Bem, se calhar não é bem o que está a espera, mas é o que temos para si!
- (Hum...publicitário na BBDO, 2000 euros de ordenado, sem extras)
- O que temos para si é um emprego de COZINHEIRO DA TROPA!!
- O QUÊ?????!!!!!Está a gozar comigo?? Eu sou um CRIATIVO!

E .... o rapaz tem razão!! Afinal teve que se levantar as 4 da tarde para ir a entrevista( quando normalmente dormia até as 6 ), teve que por um aspecto ainda mais alternativo para a entrevista ( que esperava ser para a área da publicidade) e isso no limite.. é um tipo de ambição, no sentido, que Ele faz tudo para durar longos e vários anos, e demonstra ter um sentido grande de preservação da espécie “criativa”) logo, tem tudo para ter um futuro garantido e dourado!

A partir dai, percebi que era uma sortuda, por conhecer tal pessoa, que se auto- denominava sem o mínimo de pretensiosismo de “ Criativo”. Ser criativo, não é para todos. Ser criativo é um modo de vida, um criativo tem pensamentos “tão a frente” que são sempre incompreendidos, pelos comuns mortais ( não criativos). Isto em linguagem criativa, e resumindo é o chamado
“ pensamento lateral”.Um criativo, decididamente tem sempre uma opinião sobre tudo: da religião, à política, filosofia, história, futebol e qualquer tema da actualidade. E se na antiga Grécia se cultivava o dom da Oratória , o “ criativo” aplica sempre a técnica de “ desconversa”, “ Epa, não é bem assim!! ( hehe, já os calei!! Anormais do caraças, vão mas é para casa estudar!Toinossss!!) Andam intelectuais anos e anos a estudar assuntos, aparece o criativo e diz: Isso é “RELATIVO”. Essa é outra grande palavra que anda sempre na boca de um criativo que se preze. Assim com esse contra-argumento, consegue por sempre a colher em todos os assuntos. Basta dizer: “isso é relativo” e dizer, exactamente o contrário daquilo que alguém está a dizer!

Se Einstein inventou a teoria da Relatividade, o Criativo inventou a teoria do “Relativo”.

Outra característica do criativo é conseguir estar duas horas no banho e ter a preocupação de fazer para isso não transpareça. Isto é, é uma espécie de desleixo propositado. O criativo é desleixado com a sua imagem, ou melhor dá uma ideia de desleixado( Exemplo: aparar a barba para ter aspecto de 3 dias e não de 5)! Apesar das suas roupas serem todas de marca ( alternativa está claro), passa no Intendente às tantas da manhã, e ninguém lhe toca! Não é por ter um ganda caparro, nem tão pouco uma arma no bolso, simplesmente... passa bem por um deles.

Bem, terminei por hoje! Ou então não... isto é sempre Relativo!

(  Nota: Este texto foi por mim escrito em Janeiro de 2007 e foi agora recuperado)

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Conversa de mulheres I

Este post é escrito directamente para mulheres, por isso, se és homem e me lês, hoje especialmente aconselho a ler um post mais antigo ou a dar uma volta. Se estivéssemos numa sala com amigos, esta seria a parte em que as mulheres vão para um lado e os  homens vão para outro, porque isto é conversa de mulheres.

A questão de hoje é amamentar ou não? A minha reposta é depende. Decidir amamentar deve ser antes de mais uma escolha consciente da mãe, ninguém mais do que a mãe deve decidir o que é melhor para si e para o bebé. Vir a família com exigências e dizer que “ TEM” que amamentar não me parece boa ideia, principalmente quando as hormonas estão aos pulos, o corpo debilitado e há a tendência para o choro fácil. Não me parece que amamentar “ obrigada” e fazendo o maior sacrifício do mundo seja benéfico para o bebé ou para a mãe. 

 Há as acérrimas defensoras da amamentação e que acham que em todas e em qualquer circunstância o bebé deve ser amamentado. A minha opinião não é tão radical, acho que depende das situações e das mães.  Antes de mais, amamentar significa algumas restrições que se tem que estar obrigatoriamente preparada.  Significa maior dependência do bebé à mãe, disciplina em relação ao que se come e bebe e depois a parte social o que fazer se o bebé tiver fome e estiver na rua com ele? Estará preparada para isso? A favor da amamentação estão muitos factores, está a  parte dos afectos e da relação próxima com o filho que se cria naquele momento, a protecção imunitária, a parte monetária, o facto de não se ter que esterilizar o biberão e ter que aquecer leite e também o presente que a mãe natureza nos dá pelos 9 meses em que carregamos um filho. É o único período na vida que se pode comer tudinho e não se engorda. Pumba, 600 kcalorias diárias que voam e é o peso a cair de semana a semana.  

Para mim amamentar foi uma questão de escolha consciente e fi-lo exclusivamente até aos 6 meses. Desde o início que o meu plano era esse, amamentar até aos 6 meses. Durante a minha gravidez fiz um curso de preparação do parto durante várias semanas e nesse tempo criámos um  grupo coeso de “mums to be” e ficámos amigas. Nos primeiros dias de amamentação pensei simplesmente que não ia aguentar, tal era a dor e o desconforto,  mas continuei com persistência e uma dia após outro a dor foi passando e foi-se tornado mais natural. E aquele tornou-se o MEU momento de amor de mãe para filho. Ter um grupo de amigas que estavam a passar pela mesma situação ajudava e sabia que ia conseguir superar. As dúvidas eram trocadas entre nós e descobri o poder de pomadas e de bolsinhas com gel lá dentro, echarpes e outras técnicas que elas usavam. Se amamentar foi desmistificado,  foi por causa do grupo de amigas e tornou-se algo “ social”. Nem todas nós o fizemos durante este 6 meses mas e daí? Há quem ainda esteja a amamentar e o queira fazer até o mais tarde possível. Não se pode julgar alguém porque decidiu parar porque se sentia cansada, porque a estava a afectar psicologicamente ou porque simplesmente não dava jeito e não tinha feitio para isso. Qual é o problema? Acho ridículo a mesma sociedade que ostraciza as mães que não amamentam por outro lado não disponibiliza espaços para que se possa amamentar com recato em sítios públicos. Ou seja, há campanhas a exacerbar os benefícios do leite materno, mas e depois, o que é feito? Ter que ir para uma casa de banho para o fazer é no mínimo humilhante, mas infelizmente é a única solução para muitas que se recusam a amamentar em público por inibição ou porque há um tarado a olhar ou porque simplesmente, assim como eu, consideram  que  o acto de amamentar é um acto privado. Desta forma, como há casas de banho públicas, gostaria de poder amamentar na intimidade  sem ter que pôr as mamas à mostra, é pedir muito? Uma echarpe resolve o problema e essa andava sempre comigo. A outra solução seria tirar com a bomba, se bem que o meu filho nunca foi na conversa e era literalmente atirar leite fora, por isso essa nunca foi realmente uma opção para mim. 

Quando abandonei a amamentação tinha sentimentos contraditórios, por um lado sentia a liberdade do meu corpo me pertencer novamente, por outro lado, enquanto mãe sentia que o meu filho já não dependia tanto de mim e isso entristecia-me. Mas sabia que isso acontecer mais tarde ou mais cedo.
Quanto ao amamentar ou não, essa é será sempre a questão e a reposta, essa deverá ser sempre vossa, inteiramente vossa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Os Ingleses e os postais

Se há negócio que está sempre em altas em Inglaterra é o negócio dos postais. Isso era algo que não fazia a mínima ideia até ter vindo viver para cá e me ter apercebido que brota como as lojas dos chineses em Portugal.

Não há vão de escada que não venda postais e estes, muito mais do que um rectângulo de cartão em si, com umas imagens e com uma mensagem mais ou menos pirosa ou padronizada, vêm colmatar um erro de fabrico tipicamente inglês que é o problema que têm em lidar com as emoções e demonstrar os sentimentos. Este negócio movimenta milhões porque não é sazonal, não se resume aos aniversários, Natal ou fim de ano, mas o motivo do sucesso é que evita o contacto directo com as pessoas. Os postais já com mensagem escritas então são o delírio, paga-se uns cêntimos( a partir de 30 cêntimos já se compram postais giros!) e em troca há uma mensagem já escrita em que pode-se só assinar e está prontinho a ser enviado. Simples, não? Um simples postal tem a dupla função de evitar o constrangimento de demonstrar fisicamente afecto e por outro lado, mostra consideração pela pessoa para a qual se manda um postal, nem que seja, porque alguém se deu ao trabalho de o comprar, escrever umas palavras e o enviar.

Todos os anos por volta do Natal a minha caixa de correio é invadida por postais a desejar um feliz Natal pela vizinhança. Isto tudo pareceria fofinho e extremamente civilizado, mas falta-me mencionar que os postais são postos no correio quando estamos em casa, com as luzes acesas e com o carro à porta. O toca e foge é um jogo que os adultos por aqui se divertem muito por altura do Natal. Posso jurar a pés juntos que após um postal cair na caixa de correio, três segundos depois não se vê ninguém à porta.Em vez de desejarem um bom Natal quando nos cruzamos na rua, ou pronto, na loucura, virem aqui desejar um bom Natal pessoalmente, mandam postais.

A minha vizinha do lado, que vive aqui a 2 metros ( entenda-se!) convidou-nos para o aniversário dos 40 anos por postal, nós não pudemos ir e enviámos um agradecimento por postal também, ora não fosse a senhora achar que éramos uns mal educados caso aparecessemos na porta de casa a agradecer o convite e a decliná-lo. E se tudo isto me parecia estranho e bizarro ao longo do tempo foi-se entranhando e inglesei-me... E bem, se a medição da nossa popularidade aqui no bairro se medir pelos postais recebidos, não estamos mal.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Um dia vais voltar ao que deixaste para trás... hoje é o dia!

Demorou mas foi! Durante anos estive com o blog em stand by, não por nenhum motivo em especial, mas porque simplesmente o vício de escrever pode ser viciante, mas quando não se escreve adquire-se hábitos de ociosiosidade . Não tinha a noção de que esta paragem viesse a ser tão longa, mas sempre tive a certeza de que um dia, recomeçaria daqui. Dizem que bom filho à casa torna, e este blog sempre foi o meu único blog e em que verdadeiramente tenho afinidade e que começou há 6 anos atrás. Não tinha sentido começar outro blog, quando este faz parte da minha vida. Por aqui, passaram desamores e amor, cromos de todos os tipos, anónimos simpáticos, anónimos estúpidos que nem uma porta, muitas histórias caricatas, algumas chatices, mudanças de casa, emprego, viagens por aqui e por ali, o meu casamento até mesmo uma mudança de país. A vida seis anos depois do início do blog está muito diferente mas para melhor, à beira dos 30 anos, casada e com um filho para lá de fofo de 8 meses e a vivermos em Inglaterra. No início, aviso já, vai ser a” fase da vergonha” em que me vou ter que habituar novamente à escrita e ganhar hábitos diários como tinha antigamente, vamos ver como corre daqui para a frente. Mas uma coisa é certa MariarabodeSaia is back!

sábado, 24 de outubro de 2009

Caim

Quando vi a polémica do Saramago em torno sobe o seu novo livro Caim só me ocorreu uma coisa ...Gostava de ver o Saramago escrever sobre o Alcorão.
Tenho um pequenino feeling que o senhor nunca escreveria um livro sobre o Islão com expressões do estilo que escreveu em Caim.Jamais ousaria escrever no seu livro expressões como profeta mentiroso, profeta filho da p**** e por aí em diante.Mais ainda, ousaria escrever que o Alcorão era "manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana".

Mas é assim, Saramago sabe bem que as suas declarações são a fundo perdido e com resultados directos inconsequentes. Saramago sabe bem que meia dúzia de provocações rascas fará todas as luzes dos holofotes apontadas para si e publicidade gratuita dá sempre jeito.
E claro, o estatuto de Nobel da literatura faz com que tudo o que toque fique transformado em ouro. Porém se no Envangelho Segundo Jesus Cristo resultou, porque não deveria resultar agora? Polémica é o que se quer e a saloice portuguesa agradece!

A mim, mais não me parece do que um recalcamento de alguém zangado e revoltado com a Igreja e que jamais perceberá ou atingirá o conceito de Fé. Obviamente José Saramago escreve o livro com uma ideia pré-concebida de um Deus mau e injusto em que mais não faz do que um aglomerado de "teses" que vão de encontro à sua ideia. Vi uma entrevista em que Saramago considerava-se um radical! Pois bem, talvez para um senhor de 80 anos a ideia de radical seja um pouco diferente da minha, mas o que há de radical no que fez? O que ele fez não é mais do que outros escritores como Dan Brown têm feito para vender livros como pães quentes.

Tenho também um pequeno feeling que se falasse do Alcorão, esta guerra de palavras nem chegaria a ser feita na comunicação social, com frases cada vez mais bombásticas e irascíveis. E sim, deveria ser certamente uma experiência mais "radical".

Esperava-se de um Nobel um livro com um tema inovador, com ideias mais elevadas. O Caim é mais um livro que absorveu as características de um best seller Fnac, do que propriamente um livro com rasgo de genialidade literária.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Os Ídolos

O meu maior sonho em criança era cantar bem! Mas pronto há muitos anos que fui informada que não cantava assim tão bem quanto pensava e que basicamente era mais fácil ir à lua do que algum dia ser cantora e ganhar o festival da canção.

Há uns anos atrás o Festival da Canção era algo muito sério. O país parava completamente para ver o festival e as pessoas vibravam totalmente com isso. Eu lembro-me de cantar vezes sem conta as músicas do festival com as minhas amigas na escola ( " Já fui ao Brasil, Praia e Bissau, Angola, Moçambique..." blá blá blá) e de todos os miúdos e pessoas mais velhas saberem de cor as várias letras dos vários festivais.

Hoje em dia o Festival da Canção está como o concurso da Miss Portugal totalmente fora de moda, com Miss chamadas de Sónias Carinas ou Micaelas Sofias. O Festival morreu talvez a partir do momento em que surgiram mais dois canais televisão portuguesa e se passou a dar importância a outros formatos como o Chuva de Estrelas e por aí por diante.Hoje dia todos os formatos estão praticamente esgotados, porque ouvir cantar bem é uma seca, um cliché completo e por isso, pelo factor surpresa o Ídolos tem o seu mérito.

Cada vez que vejo o ídolos pergunto-me se aquela gente não tem amigos, não tem pais que lhe digam... " tu não sabes cantar puto" porque assim dispensavam este tipo de comentários do júri, que pelos vistos são os únicos a dizer a verdade.

A propósito da sinceridade, isso faz-me lembrar a minha prof. de inglês que tinha um olho para cada lado, fez uma operação para corrigir aquilo há uns mesitos e a filha durante 28 anos jurou a pés juntos que nunca se tinha apercebido! Como não??!! A sinceridade é chata, bem sei, e por isso pais mentem com todos os dentinhos que tem na boca relativamente ás faculdade do rebento até que há um ponto em que a mentira se começa a entranhar no sangue e parece tornar-se como verdade. Não tenho dúvidas que quando aqueles pais dizem " o meu filho vai ser o próximo Ídolo de Portugal" é porque acreditam piamente nisso.

E foi de chorar a rir ver tantos cromos no programa que se sujeitam a ir a ali, estarem horas infinitas na fila à espera de serem chamados e consequentemente ainda terem a possibilidade de abandonar a loucura, virarem as costas e ir para casa comer torradas ... mas não, ficam ali, até à última, à espera da sua vez de serem humilhados. A Sic sabe bem que o que vai dar audiência ao programa não é ver gente a cantar bem, mas antes pelo contrário ver gente a cantar mal e ter tido a lata de ter ido ali, ou então, possivelmente uma virgem de 50 anos, com ar de totó a cantar um clássico dos "Les Miserable".

Numa altura em que tanto se ouviu falar em asfixia democrática, aqui temos a prova como a SIC não compactua com esse alinhamento e jamais irá calar os rouxinóis e não só... por esse Portugal fora.

Quem vai ser o Ídolo? Mas isso interessa??!! Quando acabar os castings, para mim, fechou-se o pano.