quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Os empregos dos outros

Conheço-o de vista desde que vim morar para aqui. Já vi escrito o seu nome umas vezes na sua bata de trabalho, mas é completamente impronunciável. Conheço-o como o Senhor com o melhor emprego do Mundo, pois é a ideia que passa sempre que o vejo. Abre sempre um sorriso para dizer bom dia a toda gente e a sua cara ilumina-se cada vez que peço para fatiar o pão. Ele, o homem com o melhor emprego do mundo, trabalha na padaria de um hipermercado aqui em Inglaterra, fatia pão, embala bolos e no meio, vai falando com as pessoas. Mais do que feliz com isso, dá a ideia de que não há melhor emprego do que o dele. Por isso, é sempre um prazer ir ao supermercado comprar pão, recomendar o seu trabalho porque o faz com tanta dedicação e simpatia. O supermercado, ganha mais clientes, mais negócio e mais receita. Bem melhor do que cartões de desconto, aquele senhor veste a pele de embaixador do supermercado e se calhar, sem o saber, já angariou centenas de clientes.

Lembrei-me novamente do Senhor com o melhor emprego do Mundo, quando estive estes dias em Portugal. E lembrei-me dele, porque estive em supermercados, em áreas de serviço e em lojas onde assisti a atendimentos pavorosos. Infelizmente, não foram casos isolados. Infelizmente, os 10 dias que estive em Portugal de Sul a Norte do país verifiquei o mesmo comportamento generalizado... indiferença, respostas tortas, como se tivessem a ter a seca da vida deles ao estarem a atender ao público. 

Bem sei que um salário de 400 ou 500 euros não é um salário de uma vida, mas qual é o ponto de passar 8 horas por dia de má cara? Não se ganha nada com isso, certo? Pelos vistos, há quem goste de mostrar ao mundo inteiro que está chateado. Tive a sensação de que devia um pedido de desculpa a certos senhores das lojas por estar a interromper algo. Estavam a fazer o maior frete do mundo em estar a falar comigo, em se ter levantado nessa manhã, em vez de ter ficado em casa, a ver a Júlia Pinheiro ou o Goucha. Eu, a chata, tinha a lata de ir para lá interromper o seu sossego para pedir opiniões e preços. Eu, a parvalhona, que deveria estar ali de férias, tinha a lata de sorrir para eles e de dizer bom dia, quando eles, os desgraçados, estavam a trabalhar no duro desde as 9. 

Chateia-me ao ver este tipo de comportamentos quando há um número tão grande de desempregados e estabelecimentos comerciais a fechar. São as pessoas que lá trabalham que dão a cara que são o cartão de visitas para os estabelecimentos e que são a chave do sucesso ou insucesso. Fico revoltada por estes lugares estarem ocupados com gente que se vai achar injustiçada a vida inteira, que acham que o vizinho do lado é sempre o filho da mãe cheio de sorte, que o emprego dos outros é sempre melhor do que o dele. Ele é o maior desgraçado do mundo. Essas pessoas, vão sempre achar que lhe passou ao lado uma vida de glamour e de presenças pagas em discotecas do bairro.

De fora, tenho uma visão diferente e mais critica. Não foi um país hospitaleiro com que me deparei...Percebi que se toma como “ natural” e socialmente aceite este tipo de comportamento. “Ah..pois tem muito mau feitio” ou pois,” coitado recebe pouco “como se isso pudesse justificar o facto de tratar com desdém alguém que está ali, pede uma opinião e quer gastar dinheiro do estabelecimento onde trabalham. 

Apercebi-me que se tornou hábito as pessoas serem assim tratadas e aceitarem “feitios “ quando, claramente, nos empregos onde se dá a cara não há lugar para isso. Esse “feitio” nada mais é do que uma tremenda falta de chá e dois palminhos de testa.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Afinal era tanga!

Pois, afinal não havia Diana nem porra nenhuma! Era tudo publicidade ao novo perfume Cacharel Catch me. Andou um país inteiro a dar publicidade ao moço e era uma golpada! Não me sinto defraudada minimamente até porque já tinha levantado essa hipótese. Sinto apenas que foi defraudado o amor.

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/empresas/a-procura-de-diana-diana-publicidade-marketing-cacharel-catch-me/1379867-1728.html

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Onde estás tu, Cinderela?

Pegue-se num rapaz normal, não, melhor, num rapaz com ar de bom moço, daqueles de um filha poderia apresentar ao pai. Depois, peguemos num dia com muita gente. Numa noite de Sábado à noite em Lisboa ou uma noite de Santo António em Lisboa que tem montes de gente. Não, melhor ainda, a noite de manifestação com milhares de pessoas na rua e um ambiente de agitação social. Peguemos agora numa miúda gira portuguesa, não, melhor, numa miúda estrangeira, pronto, sei lá Francesa e loura.  
 Agora, dêem-se dois nomes: Ricardo e Diana e uma one night stand que acabou com queca no Ibis de Oeiras e um bilhete deixado na cabeceira da cama. Pouco romântico!Não, melhor, um beijo, troca de números de telefone e de facebook. Hum...Demasiado fácil! Bem, então assim, um olhar apaixonado, um beijo, um nome Diana e uma pista: o dia que se vai embora. Zero contactos.
Juntemos agora o rapaz Ricardo que viu a miúda com ar angelical Diana, que ficou apanhadinho e foi amor à primeira vista. Mais, leva uma tampa descomunal, a miúda não lhe dá qualquer contacto e ele durante uma semana anda a colar cartazes, anda falar na televisão,  multiplica-se em entrevistas, cria uma página de facebook tudo para a encontrar.
Bem, depois disto tudo, Ricardo tenho três perguntas para ti: isto é uma campanha de marketing e aí fico mesmo lixada da vida, andas no Técnico e por isso gajas é como água no deserto e fico solidária contigo, ou realmente é MESMO a história perfeita?

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Pussy Riot




A primeira vez que ouvi falar das Pussy Riot foi porque fizeram umas macacadas numa igreja Ortodoxa contra o governo e foram presas. Elas, como milhares de adolescentes que vemos no Youtube diariamente, fazem tudo por alguns minutos de fama. A nós calhou-nos na rifa um tal de Hélio que ficou “famoso internacionalmente” porque o medo é uma cena que não lhe assiste e isso valeu-lhe um passaporte para a Casa dos Segredos. Aos russos saiu-lhes as Pussy Riot que, graças a um vídeo, tiveram direito a um passaporte para a fama mundial e a uma legião de admiradores.

A história poderia ficar por aqui mas atingiu ainda proporções mais estapafúrdias quando hoje li uma notícia de que as meninas foram nomeadas para o prémio Sakharov, o galardão com que o Parlamento Europeu reconhece mérito na luta pela defesa dos direitos humanos. Oi? O mesmo que ganhou Nelson Mandela e Xanana Gusmão. Pois, está certo!

Por isso, enquanto é consensual que o Hélio é só um gordo estúpido e se espetou contra uns arbustos, as opiniões dividem-se quantos às punkers Russas. Para uns, são uma heroínas e símbolo de liberdade, para outros, como eu, acho que foram só um fruto do acaso e só são umas miúdas idiotas que fizeram tudo para ter uns minutos de fama. Não acredito que tiveram fortes convicções políticas quando foram para a igreja berrar palavras de ordem contra o governo. Não acredito que tivessem que ir precisamente para a igreja fazer figurinhas ridículas, profanar um sitio de fé. Não, foram para provocar e por isso são apenas e simplesmente parvinhas com uma sede inesgotável de protagonismo. Ditou o destino, juntamente com a ingenuidade do governo Russo, de fazer daquelas jovens já com idade para ter juízo, umas mártires, ao condená-las e isso foi o motivo de tanta popularidade. De desconhecidas passaram a ser conhecidas por todo o mundo, não por serem umas excelentes cantoras, porque não o são, mas porque são umas mártires do sistema. Até a Madona decidiu dar destaque às meninas a pedir a sua libertação.

O mais irónico é que há semanas atrás saiu um filme polémico sobre Maomé e houve centenas de feridos e um embaixador americano foi assassinado. Aqui, o argumento é não se pode brincar com a religião e ficou tudo indignado com o filme! Houve manifestações em todo o mundo de indignação pela falta de respeito pelo Profeta, foram queimadas bandeiras americanas e foi derramado muito sangue à conta de um filme amador. Agora, umas miúdas vão para uma igreja Ortodoxa insultar o governo e Deus e ainda são nomeadas para uma prémio pela luta dos direitos humanos! Tivessem elas ido para uma Mesquita berrar as mesmas coisas e a conversa teria sido diferente. Ou estarei enganada?

Nota: Consegui lixar o tipo de letra todo ao alterar o template do blog.Quem souber uma fórmula qualquer para padronizar o tipo de letra neste blog mande comentário, mensagem facebook, sinais de fumo, qualquer coisa! Isto está horrível!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

A amizade colorida


Não foi amor à primeira vista. Sempre achei os elogios um pouco exagerados, mas toda a gente me garantia que era genial e que ia gostar. Com tantos elogios à sua volta acabei por ceder. E sim, era um charme e eram as promessas de uma vida mais simples que me atraíam. Já estava farta de complicações, queria algo que não me fizesse perder tempo. Odeio perder tempo.

E sim, tivemos uma amizade colorida durante uns meses e foi divertido enquanto durou. Não me arrependo. No entanto, estava em minha casa todas as noites à minha espera . Ali, sempre à mão de semear, com um ar guloso. Por vezes pensava durante o dia o que iria fazer assim que chegasse a casa e ocorriam-me pensamentos pecaminosos. Ai gula, esse pecado mortal! Rapidamente, tentava tirar essas ideias da minha cabeça e repetia para mim mesma, controla-te Rabodesaia! Essa vida não é para ti.

Até que um dia aquilo correu mal. Durante uns anos estivemos de costas voltadas e nunca mais lhe pûs os olhos em cima. Achei, sinceramente, que era um assunto arrumado na minha cabeça . Achei que não havia volta a dar e que aquilo estava acabado de vez. O preço a pagar para arranjar o que se estragou era demasiado elevado, pensava eu, e por isso não valia a pena.  

Os anos passaram, tive um filho e comecei a pensar nisso novamente. E se...? Se calhar, nesta altura, até podíamos fazer umas coisas em conjunto...Há umas semanas atrás resolvi dar-lhe uma chance, pôr para trás as nossas divergências e fizemos as pazes de vez. Vamos ser amigas para sempre, Bimby?

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Como poupar dinheiro

Aqui em Inglaterra é bastante comum sites em que ensinam como poupar dinheiro, desde em contas domésticas, como a poupar no supermercado, ter bilhetes de cinema grátis, ou vouchers para restaurantes. Eu agradeço, a sério! Agora, qual não é o meu espanto quando assisto ao cúmulo da forretice. Uma das dicas desta semana foi fazer cocó no trabalho para poupar em papel higiénico em casa.
 Esta, nem a Troika se lembrava!

domingo, 23 de setembro de 2012

Em obras

Estou a fazer umas alterações no blog e ainda não acertei com o tipo de letra. Ainda não percebi o motivo e como padronizar o tipo de letra no blog. Alguém me sabe explicar como fazer isso?
Que vos parece a nova imagem do blog e facebook até agora? Até amanhã estou em obras por aqui no blog.


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Há uma linha que separa a verdade da falta dela...

Já tinha escrito aqui no blog sobre os junkblogs e de como hoje em dia os blogs são autênticas La Redout cheios de publicidade. No Brasil, recentemente, a Sephora e três bloggers estão a ser investigadas pelo Conselho Nacional de autorregulamentação publicitária (Conar) por “sugerirem” nos seus blogs um produto da YSL quando na verdade era publicidade paga. 

Muitas das bloggers portuguesas, e falo aqui no feminino porque é mais frequente, são vistas como a voz amiga, aquela que dá conselhos tal como uma melhor amiga faria connosco e partilha as suas experiências.  As marcas sabem disso, sabem o poder que uma determinada blogger pode ter sobre os leitores e por isso paga-lhes muito menos do que gastariam num anúncio publicitário em televisão ou jornal. Em troca, tem um “ testemunho” credível de alguém que jura a pés juntos que aquilo ( que neste caso lhe estão a pagar) é incrível e que faz TODA a diferença na sua vida. Não se vê em parte alguma que aquilo foi pago pela marca. 

No contexto de crise que vive Portugal, ainda me custa mais que isso aconteça, principalmente, quando é “sugerido” um tal CLA maravilhoso que a fez perder não sei quanto de massa gorda, ou do creme milagroso que acaba com todas as olheiras e que não são capazes de passar sem ele. E chateia-me porque há 2 anos atrás viviam a usar cremes do supermercado e agora aparecem a referenciar cremes caríssimos que para a maioria das pessoas e para elas próprias estão totalmente inacessíveis. No fundo, estão a divulgar um mundo de fantasia quando na verdade só lhes é possível à conta das borlas que têm.
Lamento ainda mais,  porque há gente a acreditar nisso e a gastar uma pequena fortuna porque a “ amiga” do blog disse que creme era miraculoso e por isso se calhar até vale a pena. Quando a publicidade é escancarada, tudo bem! Quando é porque a amiga do blog, em jeito de solidariedade feminina, publica que comprou um bâton incrível e que fica impecável durante 12 horas com um brilho fora de série, isso já roça a filha da putice. Quando são criticadas, dizem sempre que as pessoas têm é inveja e que deviam ter era vergonha na cara. E isto, à vista de todos, tem passado impune.

Sim, há gente a acreditar, não sei bem como, que há bloggers que se vestem diariamente com a roupa que fotografam “de forma amadora” no blog, que nunca repetem a mesma roupa durante um ano inteiro, que todos os dias colocam maquilhagem impecavelmente perfeita com os produtos de grife caríssimos, que o cabelo é sempre cortado em cabeleireiro de renome e só usam produtos de luxo no cabelo, usam sempre sapatos com10 centímetros de altura e nunca se cansam, nem os estragam a andar na calçada portuguesa, vão a restaurantes, bares e hóteis da moda e isto tudo, com empregos de 1000 e poucos euros! A imagem que passam é que uma mulher normal, com emprego normal deve então poder fazer isto tudo.

Com esta ginástica financeira tão apurada, bem que podiam dar umas dar umas dicas ao Senhor Ministro Vítor Gaspar. Ele e todos nós, certamente, agradecíamos. 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A Casa dos Segredos

Não escrevi nada sobre a Casa dos Segredos porque não vi e é sempre a mesma coisa. Os bloggers fizeram o resumo todo e eu agradeço. A Teresinha continua os seus comentários brejeiros que doem só de ouvir e os concorrentes são do mais foleiro possível. Eles oleados e burros e elas com implantes e burras. A fórmula é simples. Não vou escrever mais sobre isto, mas vi no facebook algures esta pequena pérola que tinha mesmo que partilhar. Está visto, é só gente com muito nível.




terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os produtos espectaculares

Estivemos meses a levar com a publicidade de poder miraculoso da baba de caracol e do seu “espetacular” poder de regeneração na pele, anti-machas, anti-rugas, anti-estrias e anti mais não sei quê. E pronto, eu que achava que os caracóis serviam apenas para serem petisco das tascas Portuguesas ou para pratos gourmet franceses, pelo vistos, enganei-me. Alguém viu naqueles pequenos seres um potencial que poucos viram. Houve um visionário que descobriu o poder “espectacular” da baba de caracol. E assim, eu que já não gostava de caracóis nem com oregãos, passei a ver os pequenos seres com um ar ainda mais enojado do que antes. Motivo do sucesso? A malta pensa.. um produto com uma substância tão nojenta só podia dar resultado.

Depois, quando pensava que já tinha acabado essa moda, vem aí uma coisa ainda mais revolucionária, um tal de alcachofra de Laon. Mas o que é isso? Laon?! Não faço a mínima ideia. Mais uma técnica de marketing perfeita. Arranjam assim um nome pomposo para que se fique a pensar que o tal “laon” é que vai fazer a diferença. Porque claro, alcachofra que ali a Dona Joaquina vende na mercearia não serve, agora essa coisa do “laon” é que faz a diferença toda. Com todos os dentinhos que têm na boca prometem que se pode “comer normalmente” que se emagrece. Isto, para tradução portuguesa significa poder enfardar uns pasteis de nata pela manhã, comer feijoada à transmontana ao almoço, um pudim flan de sobremesa e ainda um bife cheio de molhanga ao jantar. Tal como varinha mágica, a alcachofra de laon queima a gordurinha toda. Eles prometem nada mais nada menos do que 10 quilinhos em 7 dias, coisa pouca. Anda uma pessoa a evitar comer doces e não abusar nos hidratos de carbono e a fazer exercício regularmente e afinal é só parva! Basta beber uns frasquinhos tipo actimel que perdem mais peso do que uma greve de fome de 30 dias.

E já agora, para quando um produto espetacular como o poder da lama de Ermesinde? Já imagino o poder que essa lama poderia ter na transformação de uma cara estilo pintura da Dona Cecília numa Jennifer Anistor. E o poder da casca de castanha de Sernancelhe? Seria responsável pela transformação de um cabelo palha de aço em seda tailandesa com uma única aplicação. Então e o que dizer do poder espetacular das sementes de abóbora da Baixa da Banheira? E o poder que isso poderia ter na performance sexual masculina e de tornar o orgão sexual num autêntico fenómeno do Entroncamento? 
Vá, aproveitem que estas ideias são grátis e não cobro despesas de envio.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ainda a Kate

Quer dizer... uma pessoa esforça-se, escreve textos que foram pensados e  demoraram tempo a serem escritos e tem umas quantas visitas. Mas, assim que publica umas fotos com as mamas da Kate Middleton, as visitas disparam para as centenas.
Já agora, há ali ao lado um botão de " like" no facebook, vão lá clicar se faz favor, seus ingratos!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

As mulheres de hoje

Caro homem Invisível,

Não resisti a escrever-lhe para lhe explicar o quanto discordo do seu texto. As mulheres procuram desde sempre amor. Crescemos programadas para isso, para acreditar que existe. As histórias infantis com príncipe fizeram parte da maioria do nosso imaginário e todas construímos uma imagem do que esse “príncipe” significa para nós. Todas as mulheres querem um companheiro a seu lado e, a determinada idade, querem um companheiro para a vida e um pai para os filhos. Acontece, que isso nem sempre pode ser dito nesses termos porque há muitas palavras que são autênticos tabus no vocabulário masculino e são o suficiente para o pôr a fugir a sete pés.

A simples palavra” namoro” afugenta muitos homens principalmente ao grupo de homens mosqueteiros, “Peter Pan” ou playboy.

Os homens mosqueteiros são um grupo constituído por machos. O lema, está claro, um por todos e todos por um. São amigos desde sempre e partilham copos, futebol, férias radicais e noitadas juntos. Ora, quando um dos mosqueteiros arranja alguém, os outros, enciumados,fazem tudo para dizer mal da namorada do amigo. Pois isso, significa menos tempo para fazer o que antes faziam juntos. Neste grupo é permitido “amigas coloridas” mas nunca namoradas. Também é permitido todo o tipo de inconfidências e mentiras descaradas com o que fazem com as suas “ amigas”.

Os homens Peter Pan são homens que não querem crescer e são imaturos demais para estarem numa relação. Fogem das relações e dos compromissos como o diabo da cruz porque rejeitam serem sujeitos a criticas. E por isso, preferem não arriscar nada e não sair da “ amizade colorida”. E enquanto as mulheres com quem estão aceitam isto, vão-se deixando estar.

Os playboys acham sempre que podem arranjar alguém melhor do que com quem estão e por isso mantém-se constantemente na zona cinzenta e não assumem coisa nenhuma. Estão sempre insatisfeitos. Normalmente, este tipo de homens chega aos 40 anos e cansado da vida que leva, casa-se com qualquer uma que esteja disponível e que não se importe que ele se tenha enrolado com metade do Zézebel e vá, das docas, quando estava entediado.

E o problema está então quando a mulher apanha pela frente um destes tipos de homem que referi que fogem das palavras “namoro” ou “relação séria”. As mulheres sabem-no e por isso evitam perguntar quando estão numa relação. Estão juntos há algumas semanas, vêem-se praticamente todos os dias ou telefonam-se, fazem fins-de-semana juntos, até que um dia, a inevitável pergunta surge por alguém: “Então vocês namoram?”. E ele antecipa-se e diz “estamos a conhecermo-nos” ou pior do que isto “ah, não! Somos só amigos”. E a mulher, tola, finge que está tudo bem, quando na realidade lhe caiu um balde de água fria em cima. A mulher aguenta-se ali, firme, porque além de estar apaixonada, acredita que isso é ser moderninha. Mentaliza-se para si própria que o que interessa é estarem juntos e afinal aquilo é só um jogo de palavras. Para a mulher “aquilo” que é namoro e uma relação séria, para um homem sempre foi um “amizade” especial. Um homem nem percebe bem o que “aquilo“ é mas deixa-se estar porque está bem e ela até aceita a situação. E pronto, se as coisas azedarem sempre está salvaguardado e pode sair-se com a desculpa brilhante “o problema não és tu, sou eu”. É melhor terminarmos por aqui, para não estragarmos a amizade” (aqui tónica na amizade!).

Pode eventualmente evoluir para um “ namoro” mas os primeiros tempos, às vezes meses, são dúbios. A mulher, ao contrário do que diz, quer tranquilidade, amor e rotina saudável. Se a rotina significar horas do fim-de-semana a ver jogos de futebol, sim, a mulher não quer rotina. Se a rotina for jantar fora todos os fins-de-semana, ou em casa à luz de velas, não me parece que achem chato ou que trocassem de caras por uma noite de disco e de bebedeira. Agora ir ao cinema, ir passear por um jardim ou comer um gelado, como diz, duvido que alguma mulher ache isso chato, a não ser que isso seja para cumprir “calendário” e esteja a fazer um frete tremendo. A mulher quer um amor “tranquilo” e não estar sempre com dúvidas existenciais. Não é preciso estar sempre com a adrenalina no máximo e drama. O amor tranquilo também é bom.

Por isso, Homem Invisível ou pertence a um dos grupos de homens que referi, ou vai procurar mulheres em sítios errados. Claramente andam aí erros de casting. A mulher que descreve é uma caloira universitária que está fora pela primeira vez e que quer absorver tudo ao mesmo tempo. A mulher que descreve não é uma mulher adulta ou então é uma mulher profundamente magoada com os homens estilo “Mosqueteiros”, “Peter Pan” ou “Playboy” que deve ter apanhado pela frente e então decidiu sair da norma por já não acreditar no amor. Mas também lhe digo, que ao homem tudo é permitido, a mulher que faça o que o homem faz é uma cabra insensível.

Desengane-se quando diz que as mulheres não querem homens normais. A mulher não quer um Ken para a sua vida, a mulher quer um homem que a faça rir, que a entenda, e que a faça sentir especial. A mulher normal quer um tipo normal e procura um reflexo de si mesma. A mulher que tem uma lista de requisitos muito grande e selecta em relação ao homem que quer ao seu lado, é bom que tenha a noção que deve ter também em si mesma todos os requisitos que procura noutra pessoa. Ou então é só parva e está desfasada da realidade. A mulher normal como diz, fica com estrias e celulite e com mamas descaídas. O homem normal, e isso esqueceu-se de referir, fica careca e barrigudo. Estamos quites, não lhe parece? Deixe-se lá de parvoíces.

Só para concluir, que o texto vai longo, as mulheres de hoje, no ponto essencial são iguais às mulheres de ontem ou às mulheres de amanhã. Querem apenas e só, alguém para amar e serem amadas.

Um beijinho,

Maria rabodesaia

quarta-feira, 12 de setembro de 2012