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terça-feira, 23 de outubro de 2012

A Alexandra, a Grande!


Ontem vi programa Momento de Mudança na Sic e tenho que dizer que foi um trabalho jornalístico notável. Pela primeira vez que me lembre, foi apresentado ao público o HIV visto por uma outra perspectiva, sobre o olhar de uma jovem, a Alexandra. 

Esta doença, normalmente, está muito associada a comportamentos de risco, à homossexualidade ou à toxicodependência, mas neste caso foi nos apresentado uma história bastante diferente. A doença entrou numa família tipicamente portuguesa e não naquelas famílias que olhamos de lado, vistas como disfuncionais”. A família da Alexandra, podia ser uma família que vive na porta ao lado da nossa e a Alexandra poderia ser mais uma das meninas bonitas que se cruzam por nós todos os dias. Nós, metidos na nossa vida, envolvidos na nossa bolha, nunca saberíamos quem era. O HIV não se vê na cara e não discrimina.

A Alexandra não vive numa cidade grande onde nem os vizinhos se conhece e é possível viver-se anonimamente durante uma vida inteira. A Alexandra mostrou-nos como é ser portadora da doença numa pequena aldeia, onde todos sabem o nome de todos e quando ia ao café ninguém se queria sentar no mesmo banco onde se tinha sentado. Contou como lidou com o preconceito, com a revolta interior e como vive a sua sexualidade com a doença. Teve a coragem de quebrar esse tabu e de mostrar que há vida para além do HIV e que é possível ter relacionamentos e amar.

A Alexandra mostrou-nos que é possível ter uma vida dita normal, desde que seja responsável, e que é possível sonhar. Ela alimenta o sonho de ser psicóloga e espero bem que sim! Houve uma frase no seu discurso que me marcou bastante,  “ Eu sou a Alexandra, não sou  HIV”. E não, não é! A Alexandra é muito mais do que os nossos olhos vêem. 

Este programa, muito mais do que uma história sobre alguém com HIV, mostrou-nos uma história de amor, no seu estado mais puro.