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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Inglesices #1


Uma das coisas mais estranhas em Inglaterra são os hábitos alimentares. Se os hábitos dos adultos são algo que se foi entranhando e já se tornou normal, mais estranho, é agora deparar que estes hábitos ingleses, aqui começam desde pequeninos e refiro-me mesmo a bebés.

Tenho que começar a explicar que aqui não há há pediatras. Aliás há, mas não no sentido que há em Portugal. Em Portugal, todas crianças vão ao pediatra com regularidade. As mães saem do  consultório médico com uma lista de alimentos que os bebés podem ou não comer e com diversas orientações e dicas. Em Inglaterra, as crianças podem ir semanalmente ás “ drop clinics” para qualquer dúvida que os pais tenham, ou então , claro, se for mais urgente, há sempre o hospital ou os centros de saúde.
 Os pediatras são reservados para problemas bastantes maiores . Dizer em Inglaterra que em Portugal, todas as crianças vão ao pediatra, causa estranheza . Mas vão fazer  o quê, exactamente? Perguntam as mães inglesas. Pesar? Medir? Saber o que deve comer? Fazer avaliação médica? Quando está doente? Aqui, parte-se do princípio que um bebé está sempre bem,  até prova em contrário. Os ingleses nunca teriam a frontalidade para o dizer, mas suspeito que devem achar que este é mais um dos costumes burgueses de Portugal e que pediatras para todas as crianças roça a insanidade. Por esse motivo, não há cá listas de alimentos para as mães e a reeducação alimentar começa desta forma livre: Ai o bebé quer tomate? Dá-se! Ai o bebé quer pepino? Dá-se!E caril?!!!  (a sério!) Dá-se! O bebé quer framboesas e morangos? Então, dá-se também! As regras, por aqui, não são tão rígidas em relação à comida... ou, não há mesmo regras.

 Qual não foi o meu choque ao ver, num almoço com amigas inglesas, que têm bebés da idade do meu filho, em que todos os bebés estavam a comer.... sandes ao almoço! Com as suas mão desajeitadas, lá iam eles abocanhando o pão de forma inteiro, branquinho, barrados com humus (uma espécie de puré de grão) ou recheados com vegetais frescos, como sandes de pepino. A primeira vez que aconteceu esta situação, foi já há uns bons meses atrás, quando os bebés, nem dois dentes tinham na boca . Um pedaço de pão, antes de ser engolido, andava alegremente a  passear na boca dos bebés, depois o tomate colava-se à cara, ao tecto ou ao chão e o almoço, e a refeição em si, parecia um autêntico Carnaval.  Esta “técnica” é muito comum por cá e é o chamado Led Weaning em que o bebé come, basicamente, o que quer ou que demonstrar vontade. 

Se o meu filho escolhesse, empaturrava-se de Cerelac ou de bolachas Maria até rebolar. Eu sou uma espécie de extraterrestre por estas bandas que continuo a dar purés, sopa e fruta ao meu filho. Mas por cá, de pequenino come-se sandes de pepino!




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