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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Os produtos espectaculares

Estivemos meses a levar com a publicidade de poder miraculoso da baba de caracol e do seu “espetacular” poder de regeneração na pele, anti-machas, anti-rugas, anti-estrias e anti mais não sei quê. E pronto, eu que achava que os caracóis serviam apenas para serem petisco das tascas Portuguesas ou para pratos gourmet franceses, pelo vistos, enganei-me. Alguém viu naqueles pequenos seres um potencial que poucos viram. Houve um visionário que descobriu o poder “espectacular” da baba de caracol. E assim, eu que já não gostava de caracóis nem com oregãos, passei a ver os pequenos seres com um ar ainda mais enojado do que antes. Motivo do sucesso? A malta pensa.. um produto com uma substância tão nojenta só podia dar resultado.

Depois, quando pensava que já tinha acabado essa moda, vem aí uma coisa ainda mais revolucionária, um tal de alcachofra de Laon. Mas o que é isso? Laon?! Não faço a mínima ideia. Mais uma técnica de marketing perfeita. Arranjam assim um nome pomposo para que se fique a pensar que o tal “laon” é que vai fazer a diferença. Porque claro, alcachofra que ali a Dona Joaquina vende na mercearia não serve, agora essa coisa do “laon” é que faz a diferença toda. Com todos os dentinhos que têm na boca prometem que se pode “comer normalmente” que se emagrece. Isto, para tradução portuguesa significa poder enfardar uns pasteis de nata pela manhã, comer feijoada à transmontana ao almoço, um pudim flan de sobremesa e ainda um bife cheio de molhanga ao jantar. Tal como varinha mágica, a alcachofra de laon queima a gordurinha toda. Eles prometem nada mais nada menos do que 10 quilinhos em 7 dias, coisa pouca. Anda uma pessoa a evitar comer doces e não abusar nos hidratos de carbono e a fazer exercício regularmente e afinal é só parva! Basta beber uns frasquinhos tipo actimel que perdem mais peso do que uma greve de fome de 30 dias.

E já agora, para quando um produto espetacular como o poder da lama de Ermesinde? Já imagino o poder que essa lama poderia ter na transformação de uma cara estilo pintura da Dona Cecília numa Jennifer Anistor. E o poder da casca de castanha de Sernancelhe? Seria responsável pela transformação de um cabelo palha de aço em seda tailandesa com uma única aplicação. Então e o que dizer do poder espetacular das sementes de abóbora da Baixa da Banheira? E o poder que isso poderia ter na performance sexual masculina e de tornar o orgão sexual num autêntico fenómeno do Entroncamento? 
Vá, aproveitem que estas ideias são grátis e não cobro despesas de envio.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Toca a mexer

Um dos programas que mais me prendeu na televisão foi o Biggest Loser que comecei a ver num por canal por cabo Americano. Não conhecia o formato mas fiquei imediatamente fã do programa. Doze concorrentes obesos, dois treinadores lixados, desafios semanais em que tinham que lutar pela imunidade, tentações que eram postas no programa que davam certas regalias e por fim a pesagem que era o culminar de todo o esforço. Semanalmente dava para ver a diferença física e psicológica dos concorrentes. 

Eu gostava do programa porque não tratavam os gordos como coitadinhos, como os desgraçados da sociedade que enfardavam três quilos de piza diários e donuts porque tinham tido problemas de auto-estima e tinham tido uma infância difícil. Ali, assumia-se sem rodeios que a obesidade era uma adição, que eles estavam ali para se livrar do vício e tinham era que mexer o rabo e andor para o ginásio. O Bob e Jillian tratavam-nos de igual para igual e em nenhuma parte do programa, e vi muitas edições, os concorrentes foram ridicularizados por serem gordos. Eram concorrentes e estes estavam ali para perder peso e para ficarem saudáveis. E como tal, tinham que fazer o que era pedido e sem problemas de ferir susceptibilidades.

Eu estava com uma expectativa grande em relação ao Biggest Loser versão Portuguesa mas vi imediatamente que o programa ia ser diferente, muito diferente. No primeiro episódio vi logo que aquilo ia ser com a tónica do coitadinho que é gordo e só me lembro do rabo da Susana à mostra quando caiu no meio da lama em plena prova. Não gostei, não precisavam de o ter mostrado. Mas aquilo dava audiência, a gorda de rabo de fora estendida do meio da lama. E lembro-me de toda a gente falar nisso. “Ai coitada”. Era difícil lembrar-me de uma situação mais humilhante.Mas isso mostrou logo como o programa ia ser, eles sempre a refilar porque estavam cansados, eles os coitados que engordaram com o ar que respiravam e que eram vítimas da sociedade. Estivessem lá o Bob e a Jillian e tinham levado uns berros valentes para ver se não se punham finos. Por isso, a edição Portuguesa (as duas) ficaram aquém da expectativa, se bem que a segunda foi um pouco melhor.

E agora vem o “Toca a mexer” que é para pôr gordos a dançar. Este programa vai ser para concorrer directamente com a Casa dos Segredos. Pois se a Casa dos Segredos mete bimbas, pêgas, assaltantes, burras que nem uma porta, a SIC vai ter que jogar alto – ou antes, baixo! O objectivo não do programa da SIC não é que aquela gente perca peso. As televisões não são a Santa casa da Misericórdia, têm em mente as audiências e o que a malta quer é palhaçada. Por isso se explica que a Fany e a outra burra que não sabia localizar nenhum país num mapa se tornassem vídeos virais. O efeito da perda de peso no programa é meramente colateral, o objectivo, está-se mesmo a ver, por o país a rir ao ver os gordos, tais qual Popota, a fazerem figurinhas ridículas.