quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

O 25 de Abril das águas engarrafadas

Estava sentada numa esplanada aproveitar uns raios de sol tão raros para esta altura do ano. O cenário era fantástico para um café em Lisboa com espaço verde a fazer-lhe de moldura! Algo estranho quando a maioria dos cafés são seguidos uns aos outros como um colar de pedras, com nomes pouco sugestivos e originais. É quase certo de que o nome do café/ restaurante/ snack bar.. ou porque não… largo da má língua… faz referência à área ou a rua onde se está, ou então tem um nome narcísico.


A decoração é pouco imaginativa… em que os bolos, as garrafas de whisky e os pastéis de bacalhau fazem parte da vitrine da “casa”. Aí normalmente cheira a fritos ou a “ panikes” e quem lá vai diariamente habilita-se a sair de lá enjoado ou por oposição, rendido ás “bombinhas” enroladas ou engarrafadas… as vistas, essas são na melhor das hipóteses, para uma bela estrada “ bem “ alcatroada!
Por tudo isso, é raro um café que nos transmita alguma paz, que se veja ponta de beleza.. sem ser a chamada beleza urbana.

Pedi uma água enquanto mexia no telemóvel. O senhor interrompeu-me para perguntar: "uma água com gás ou sem gás, fesca ou natural?" Pode ser uma água sem gás bem fresca.
Comecei a pensar sobre isso, quando se pede uma água ( sem gás... e sem sabores, e sem blá blá blá) ninguém nos pergunta a marca que queremos, como acontece com outra bebida qualquer! Pode-se escolher entre uma coca-cola e uma Pepsi, pode-se escolher entre uma seven up e uma sprite… agora quando se trata de uma simples água ninguém nos pergunta que água se pretende!
Não é que eu consiga distinguir uma água do luso de uma Caramulo… ou de uma Fastio…mas abre-se um precedente na “ não-escolha” e até me admira .. num povo tão reivindicativo como o nosso nunca ter ouvido alguém dizer: essa água não quero! Nem que seja só para mostrar uma posição e que se é dono de uma sensibilidade á água engarrafada hiper apurada!

Se se pedir uma coca-cola num restaurante/ café ou o que for… será igual em qualquer parte do mundo e não revela por aí o guito que se tem na carteira… está totalmente globalizado e ao acesso de todos… uma cerveja importada ou então um vinho de Bordeaux já releva um certo status ou uma pretensão de se colocar num patamar mais acima! É claramente uma aversão e despeito pelo “vinho da casa” de uma marca qualquer!

E com as “ água engarrafadas” será que caminhamos para ai? Será que as senhoras com os Lulus que se sentam na Mexicana ou no tal café maravilha onde fui irão reclamar pelo seu direito à escolha da marca da água? Quando é que será o 25 de Abril das águas engarrafadas?? Andarão as senhoras de cravo ao peito se isso acontecer?

Já agora, permitam-me ser visionária e reformular a pergunta do senhor do café maravilha: “ pretende uma água com gás ou sem gás? Fresca ou natural? E já agora, uma água nacional ou estrangeira? E que marca vai pretender?"
Imagino nesse dia o senhor café… com um cravo ao peito, feliz da vida pela democratização das águas! Nesse dia não fecha o café, não é feriado… faz a “ loucura” de pagar uma rodada de água sem gás, fresca.. e sim …do Luso para toda a gente.

2 comentários:

Anónimo disse...

Cara blogista, antes os problemas das pessoas fossem esses. Mas o episódio que revelou mais não é que um atendimento de qualidade. São os pequenos pormenores que fazem um estabelecimento comercial e esse é um deles que insconscientemente retiveste. Agora quanto ao 25 de Abril não é bem assim, dou-lhe como exemplo as aguas do Alardo que foram compradas pelo Srº Sousa Cintra por 1 centimo. Meses antes tinha descredibilizado a mesma em orgãos de comunicação que influência. Se este é o 25 de Abril pelo qual os meus país lutaram dêem-me outro ou então juntas-te a mim e construimos um mundo melhor. Beijo
Joao PS

2007 o ano que promete! disse...

lol tu realmente n existes... apesar de achar uma questão pertinente! Por isso é que eu so peço agua do FASTIO, é a unica que me sabe bem... a Luso dizem que descalcifica os ossos! :P