quarta-feira, 29 de agosto de 2007

A Ihota Azul

Por norma sou distraída! Então se é de manhã, além de distraída estou ensonada, o que dá uma mistura bombástica de “burra de todo”. Ninguém me poderá levar a mal, ás 10 já estou num estado “ normalizado”, e ainda que não respondesse a todas as questões da “ Herança”, pelo menos já estou com o pensamento mais oxidado.
Mas há momentos em que a distracção faz uma pausa e em que me ponho a observar como “gente” os sítios onde ando por Lisboa de manha. Praça de Espanha… yep!

Já passei por lá imensas vezes, só que nunca me dei ao trabalho de perceber o que é “aquilo” ou melhor aquela ilhota azul que está no meio da praça de Espanha. Com “lojas- barracas”, com snacks bares misturados, em que parece vender-se tudo! Tudo mesmo…tudo para telemóveis, sapatos, lingerie, atoalhados, material electónico! A capacidade criativa daquela gente é ilimitada, garantidamente.

No ar, paira uma mistura de caril, fritos, borracha! Ouve-se palavras adocicadas e acariladas ou com molho de soja! Um melting pot perfeito no meio daquela ilhota azul.
A música essa está ao cargo dos colonos, que competem entre si entre música electrónica, música brasileira, kisomba, rock, pimbalhada. Ninguém se chateia!( ou pelo menos não parece).

Mas se a ilhota representa uma multiculturalidade concentrada , olhando por cima do ombro é fácil verificar a praça de Espanha em si tem vários conjuntos de culturas que se cruzam e que é o melhor sinónimo da multiculturalidade: desde a mesquita, teatro comuna, Gulbenkian, universidade Nova, aqueduto, uma boa porta de entrada de Lisboa. O arco triunfal no meio da praça faz as honras da casa e parece convidar todos entrar na cidade.” Entras?”

E por várias avenidas cruzadas, uma cereja azul sobressai e os colonos reinam na ilhota. E eu convidei-me a entrar no submundo . No meio do chique que é a praça de Espanha, há ali uma célula brega/ medonha a valer. O ambiente é de feira popular sem carrosséis…mas só com imigrantes brasucas, monhés, etc… mas. Os que frequentam os snack poderiam ser trolhas porque já se licenciaram em piropopagem! Mas não, talvez ainda não, o campeonato é bem outro! Ali faz-se diplomacia de corredor à séria, por entre uma mini e outra…. (Imagina-se pela quantidade de imigrantes que paira por (..)qualquer motivo por aqueles lados)

No meio de “ crocs”, lençóis e socas… de vez em quando deve aparecer por lá uns BI e outras coisinhas “perdidas” de uma com ar de Dulcineide , que afinal é “Maria das Doures Santos”ou de um com ar de Mohamed que afinal é “ João Manuel Silva”.

Eu por acaso até me dava jeitinho uns documentos com ar “verdadeiros” ( hum… aumentar 5 centímetros no BI.. ficava feliz…. um diplomasito extra de uma universidade americana de renome… Harvard? Hum… pretensioso? E pronto… mais umas coisinhas).

Se não encontrar nada na lata Farinha Amparo ( já agora, isso ainda de vende?) e se tiver coragem, dou um pulo por lá… pode ser que tenha sorte…. Por entre sapatos, lencois, telemóveis e afins, ou então por entre uma mini e uma chamussa e já agora,com umas notas bem gordas no bolso há milagres que por vezes ...acontecem…

4 comentários:

Anónimo disse...

Maria

Harvard é uma universidade inglesa,ou não?

Rabodesaia disse...

caro anónimo,

Se não mudou de sítio e se não fugiu a marota... é norte americana!

João J. disse...

Para mim já ficava contente com uma chamuça daquelas bem picantes... logo pela manhã fica-se logo acordado. Já experimentaste?

Ze_Porvinho disse...

Cara vizinha,

O Centro Comercial da Praça de Espanha, o único grande empreendimento nacional capaz de fazer frente ao domínio da SONAE e de outros grupos da distribuição na área das grandes superfícies comerciais, é uma mistura de tudo o que descreveu e ainda de muito mais que ficou por escrever.

Só indo lá para se ter a noção correcta do design arrojado, tipo open space, mas coberto, daquela amálgama de estabelecimentos comerciais com a porta sempre aberta ao público (qual porta?) e com uma diversidade de oferta que é difícil que qualquer procura ali não encontre casamento para toda a vida.

Ainda assim, e porque falou nela, permita-me sugerir-lhe, numa dimensão mais ambiental, a Gulbenkian e os seus jardins, que parecem um oásis verdejante no meio de uma selva de concreto e betão mais que poluída.

Passear por entre aquela vegetação tão multifacetada (ena, também sei escrever palavras começadas por multi, deve ser das minis que tomei ao pequeno-almoço), escutar o chilrear da passarada, sentar-se na relva junto ao lago ou naquele magnífico anfiteatro a imitar os teatros gregos e romanos ao ar livre a ler, ouvir música ou simplesmente a deixar que o tempo passe, doce e inevitavelmente por nós, ao mesmo tempo que nos abstraímos por momentos da agitação diária e mundana e deixamos a mente fluir por sítios nunca dantes imaginados, é prática que muito recomendo.

E, conselho gratuito: acaso tenha possibilidades, vá a um jardim que tenha por perto, aproveite a comunhão com a natureza e vai ver que voltará revigorado/a e com a alma limpa!

Hic Hic Hurra

Nota - Há uma Harvard em Virginville, mas é de apelido e não pratica campismo, antes se dedica a outra actividade bem sinalizada.