quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O que fazem as pessoas no trânsito? A sociologia do condutor

* Um Estudo de caso

Não pode ser considerado um estudo sociológico profundo, seguindo todas as etapas do pensamento sociológico martelado tantas e tantas vezes na faculdade… e por isso, vou já fazer o primeiro reparo no título… vou chama-lo antes…um “estudoseco” de caso, contudo com uma amostra representativa da população de tantos horas de observação deste rabo de saia.

Considerações feitas.. vamos ao “estudoseco”:
“ O comportamento sociológico no trânsito: reflexão quanto ao comportamento do condutor”

Primeira problemática: a escolha em si… já que está afunilada uma vez que nem toda a gente tem carro ou anda de carro em Lisboa.


Amostra: condutores de Lisboa

1 Conclusão:em relação à escolha do carro, cheguei empiricamente a algumas conclusões:

Há quatro tipo de condutores:

- Os Exibicionistas- os que escolhem o maior carro possível e que dê mais nas vistas. Nestes caso o tamanho do carro é inversamente proporcional ao seu ego.
- Os Tacanhos- os que escolhem um carro bem simplório para que dêem menos nas vistas quanto possível.
- Os “ arrastados”- vê-se logo que é impossível terem escolhido aquele carro. Por isso ou foram influenciados pelo namorado/ namorada ou então pelos pais ou na última hipótese para imitarem em estilo algúem que gostariam de ser. ( George Clooney ou então a Isabel Figueira)
- Os Pobres- os que compraram o carro, porque apenas tinham dinheiro para aquele ( e neste caso.. desde já um reparo, isto porque uma escolha forçada, nunca é uma escolha em si)
Em relação ao comportamentos, há dois grandes tipos de comportamentos observados:

1- Dos condutores que vão sozinhos no carro.
2- Dos condutores que vão acompanhados no carro.

As pessoas que vão sozinhas no carro não têm noção que estão a ser observadas como tal tudo é permitido.
No caso das mulheres: maquilhagem completa! Quando a fila está parada, nada melhor do que fazer do carro um salão de beleza, com direito a colocar-se creme na cara, base, blush, sombra, lápis nos olhos, rímel, e para finalizar um gloss para dar aos lábios um look beijável. Pode-se ainda.. limar as unhas, e aproveitar já agora para por um verniz fashion! Ou então, pelo contrário, retirar o verniz! A ideia… é ir gira para o trabalho, a segunda ideia é para que os executivo que passa todos os dias por ela no trânsito( é vizinho... logo não há duvidas de que é ele!) e está sempre a olhar, repare como ela está especialmente gira hoje!
Também naqueles minutos de trânsito, pode servir para tirar os impertinentes pêlos das sobrancelhas ou do buço que não saíram por completo desde a última depilação.
Ainda pode servir de discoteca, com direito a ouvir-se música a altos berros e imaginar-se que durante 3 minutos e 20 se é tão sexy como a shakira.. mesmo que tenham um rabo de 30 kilos e nem façam a mínima ideia do que é mexer a pélvis.
Também pode ser um excelente sítio para aprender Inglês em 30 lições com a ajuda das cassetes do Planeta Agostini: “ Hello, my name is Mazzy!”. Ao final de 15 dias mais coisa menos coisa ( graças ao trânsito intenso) já terão feito as lições todas.
Ou também pode servir de copa, para que se possa comer um big croissant de chocolate logo para começar o dia… mesmo que jurem aos maridos que estão de dieta desde que casaram… e que se engordam.. ou é do ar… ou então porque a água lá da empresa, deve ter alguma substância estranha para justificar o aumento exponencial das ancas e do rabo nos últimos anos.

No caso dos homens, aproveitam o tempo parado de trânsito para olharem para todas as gajas dos carros ao lado, principalmente se estiverem sozinhas... e que tiverem um palminho de cara ( está claro... para camafeus... basta a sogra!)! Principalmente para aquelas que estão com um ar sempre fantástico logo ás 8 da manhã! ( são aquelas que fizeram a maquilhagem completa no carro?)! O carro é um bom escudo, é uma verdade! Ali podem fazer as maiores figuras, que a probabilidade de encontrarem as mesmas pessoas, é quase impossível! ( por acaso encontra sempre a vizinha "boa"! Mas será sempre " anónima" mesmo que se cruzem no supermercado 5 vezes por semana!)
Ao som de uma música de discoteca qualquer gajo se acha “no seu carro” ( jogando em casa … ganha-se quase sempre) capaz de engatar a miúda mais gira da disco, isto é do carro ao lado.(E mesmo que tenham 40 anos… acham-se sempre competentes para tentar engatar as miudas com idade das filhas a cheirar a morangos e com roupa da Berska).
Treina-se durante muitas horas os olhares “ a matador” do espelho retrovisor do carro!
Para alguma coisa terá que servir certo? Se fizerem isso às suas mulheres… no mínimo perguntam: “ ó querido, estás com alguma pedra no olho? Ou então, estás bem disposto?”
Também se pode aproveitar para tirar os macacos do nariz já que ninguém está a ver, cortar as unhas e colocá-las... pela janela fora ( Se tiver bom tempo)… ou então no cinzeiro do carro ( se não lhes apetecer abrir o vidro)e sim… aproveitar a chave do carro para tirar a cera dos ouvidos!

Há um estudo norte americano que afirma que 60% dos condutores desse país… se masturba no trânsito (sim, leram bem!), enquanto vão para o trabalho... eu prefiro não entrar por ai!

Se os condutores ( homens e mulheres) forem acompanhados perde-se o efeito.. As pessoas agem de maneira diametralmente oposta quando agem sob efeito da observação ou não observação. A observação tem um efeito repressor, e corta a “ naturalidade”. Enquanto acham que os ninguém os está a observar agem de uma maneira, após se sentirem observados… encostam-se no banco com a pose perfeita e agem como meninos de coro, com o comportamento sempre correcto!
Pelo contrário se não se sentirem observados estão sem pose, totalmente relaxados, barriga dilatada e com as costas totalmente curvadas.

Passa-se tanto tempo no carro, que acaba por se ser mais fiel a ele, do que aos que o rodeiam. O carro não julga, nem compactua! Apenas acompanha o slow do condutor em silêncio. Além do refúgio da casa.. o carro é o local onde se poderá está totalmente sozinho, sem medo de se ser ridículo. Ou será que no fundo há uma ponta de exibicionismo nisto tudo? Será que bem no fundo há uma ponta de desejo em serem catados e de dizerem ao mundo:” Sim, sou assim! E então? Nunca mais me vais ver!”.
O que eu sei é que me divirto em observar, poucos são os que se acanham ao serem catados.. sorriem como que a compactuar comigo, encolhem os ombros, ou coram.
Não lhes roubo a privacidade… peço-a emprestada... mas devolvo!

1 comentário:

João disse...

Adorei! Tu tens um sentido de observação excelente!