terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

O Verniz

Pode até chamar-se Carla Eduarda, Sónia Andreia, Tânia Bianca... Pode até viver no bairro das Marianas ou no da Cruz Vermelha... Pode até não ter estudos nenhuns, pode nem sequer saber quem foi Darwin...nem tão pouco Napoleão, nem ter a consciência que tenha havido duas Grandes Guerras Mundiais... Pode até nem saber quem é Paula Rêgo, nem Siza Vieira, ou Almada Negreiros.. Pensar que "Irão", é apenas o tempo de um verbo... e que "Iraque".. também deve ser um verbo.. só não está a ver bem qual...

Pode até pensar que Salazar é uma marca de vinho, e que Ratzinger é o nome de um comprimido para a gripe..Pode até não saber distinguir um champanhe de um espumante,
uma Evian de uma água da torneira... Achar que "George Washington" é uma marca de roupa ...

Pode até trabalhar numa lojeca de esquina, viver em casa dos pais que se matam a trabalhar para a menina, a mãe que é telefonista passa a Gestora ( dos telefones), o pai tem uma mercearia passa a grande empresário de ramo alimentar ( com negócios em Angola). É uma espécie de Maria Laurinda, mas com todas as desvantagens de ser burra.

Fala arrastada, anasalada, propositadamente... diz uma quantidade de vezes
“ imenso” mesmo quando não tem sentido nenhum na frase , abre as vogais em algumas palavras com “ Hórrores” “sófa” e fecha outras como “ côpo” = copo.
Mas se for preciso diz: “ quaisqueres”, “ haverão” e “ tufone” ( telefone).
É capaz de estourar 3 ordenados nuns sapatos da Furla, numa mala da Roccobarroco ou num top da Armani.

Apesar de se chamar Carla Eduarda , insiste em ser “Dadinha”, mata-se por um convite para as abertura de uma discoteca da Moda, faz-se tudo para aparecer ao lado de alguém conhecido.. não vá ela aparecer na revista. Os nomes das amigos nos telemóveis estão por apelidos.

Quando fala dos amigos, diz sempre o primeiro e último nome quando este é sonante. As mãe das amigas, são sempre tias, mesmo que não conheça as senhoras de lado nenhum.

Tem a mania de dar só um beijinho, denominado pela CASA como o “ beijo unifacial! Não porque simplesmente está habituada a fazê-lo, mas porque é "bem" fazê-lo! É como um rito secreto da maçonaria ... mas aqui trata-se do ritual da “quequice”, dessa mania de ser diferente... dessa mania da poupança de afectos... um só beijinho!
Mostra pertencer ao grupo “deles”, mesmo que seja só pela aparência, nesta sociedade com a tendência oca da prevalência do ter pelo ser..

Olha para a revistas cor-de-rosa com um misto de inveja e desdém. Sonha no dia que lhe apareça um menino com um nome bem pomposo que lhe encha as medidas e o BI, já que vive com desgraça do apelido tão português quanto “Santos”.
É que se Carla Eduarda sempre dá para disfarçar com “ Dadinha“ santos “ soa a proletário..

É sopeira durante o dia e mete a mão na anca, de noite ganha tiques de menina queque “imenso”. Mas a vida é assim mesmo... só estala o verniz a quem o tem!

3 comentários:

Anónimo disse...

ohhhh minha granda parvalhona....!!! para tua informação o meu amor tem o nome MTO semelhante ao que gozaste...MAS DEVIDO AOS MAIS! e por coincididencia.... tem um "petitnon" identico ao que disseste!! mas...... É MTOOOOOOOO AMOROSOOOOOO E HA-DE SER TEU CUNHADOOOOO TÁ???? ;)

ines disse...

bem, maria. é incrivel a tua capacidade de olhar o real e descreve-lo com tal clareza de palavras. é de o louvar. a tua escrita é envolvente, tal como aquilo que bem conheço de ti, amiga.
de facto, andamos sempre a querer passarmo-nos por outros, em nome cada vez mais, do imediato e do fútil. Para quê? Para preenchermos os vazios das nossas vidas ou das mentes?
Dou graças a Deus, por sermos o k somos e de nao termos a pretensao de parecer o k nao somos.
:)
nês

Manuel F. disse...
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