quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Referendo

Este é um tema batido, eu sei! Já muito se escreveu sobre isso, e o meu post de hoje está longe de fazer juízo de valores ou emitir a minha própria opinião sobre o assunto. Vou antes fazer de advogada do Diabo e apresentar os diversos cenários. É obvio que o problema está na base, é óbvio que deveríamos começar a construir a casa de raiz e não começar pelo telhado, todos sabemos isso... e que se deveria começar na educação, na prevenção, em apoiar as famílas que têm poucas condições...etc...mas o referendo está mesmo ai! Há uma decisão a ser tomada :Sim? Ou não?

O Gato Fedorento apresentou a versão neutra do “ ah talvez, isto não é assim tão simples” eu achei brilhante, principalmente porque essa sim, é a “ posição” ( se é assim que se poderá dizer) típica dos indecisos e dos votos em branco e da abstenção. Se calhar até será a vencedora no próximo referendo do aborto.

São múltiplas as opiniões que se agarram a vários argumentos, desde o conceito da vida humana ( onde começa ou não a vida humana), desde a questão das condições das mulheres que o praticam, etc... mas parece-me a mim, que se está a levar esta questão para o campo meramente ideológico ( se calhar para acender ainda mais os ânimos e usar o sensasionalismo para atingir um sector bem definido da sociedade).

As questões para mim, e penso que para todos, mais importantes é o que vai acontecer na “prática” no nosso país se ganhar o sim ou se ganhar o não? (moralismos e teorias à parte , isso é que interessa).

A pergunta é esta que será feita no dia 11 de Fevereiro:
“Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas?”

Aos defensores do “sim” as perguntas que coloco são estas (ainda não ouvi nada sobre isso):

1- No caso do “sim” ganhar, terá o nosso sistema de saúde capacidade para dar resposta as mulheres que pretenderem fazer um aborto?
2- Estarão garantidas as condições mínimas para que não haja filas de espera?
3- Fala-se da “despenalização do Aborto”, alguém já foi condenado/ preso nos últimos 20 anos por prática de aborto?
4- Quais são os critérios para que um médico possa fazer um aborto? Uma mulher que fez 3 abortos, poderá fazer um quarto aborto?

As perguntas quanto a mim são relevantes, na medida em que se há filas de espera para ir a um oftalmologista, imagina-se que não será fácil que não hajas filas de esperas para que seja realizado um aborto , ainda com a agravante de que tem que ser no prazo de dez semanas, até para própria segurança da mulher. Mas já estou a imaginar o cenário: “Olhe, fica em fila de espera, daqui a 3 mesitos dizemos-lhe qualquer coisa! Está bem?”
Depois também acho que a pergunta deveria ser adaptada: nas aldeias do Portugal profundo se perguntarem o que acham do “aborto” dizem cobras e lagartos até porque o senhor Prior depois não as deixaria comungar e eram excluídas da paróquia. Mas se a pergunta for: o que acham do “desmancho” ( é o termo utilizado), se calhar o resultado será bem diferente ( “ah conxerteza zá fiz uns quantos”). Muda-se a palavra, e passa-se do condenável para o comum por aquelas bandas!


E se o Não ganhar?

1- No caso do “ Não” ganhar, a justiça irá ser aplicada para condenar ( punir) as mulheres que fazem abortos ( apesar de até aqui, não o fazer na realidade)?
Afinal é esse é o verdadeiro motivo do referendo.
2- A vitória do Não, irá contribuir para a redução do número de abortos clandestinos que são diariamente feitos?
3- Como é que com a vitória do "não" poderá dar resposta a isso?


Deixo-vos as perguntas. As respostas essas... se calhar não as terei até lá.

4 comentários:

Pedro Torres disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
2007 o ano que promete! disse...

Totalmente a favor do SIMMMMMM!!! Já não vivemos na idade media....

Anónimo disse...

Mary já sabes qual é a minha opinião mas aqui vai: eu acho q se uma pessoa é matura e responsável para ter relações sem tomar as precauções necessárias (q já conhecemos todos quais são), também é responsável para assumir as consequências dos seus actos. Eu voto pelo não, pq as causas pelas q aceitaria um aborto já estão contempladas na lei. Do resto, tenham juízo (por muito q custe) e evitaram surpresas.

Anónimo disse...

vota sim...
nunca se sabe o dia de amanha!!
ihihi