quinta-feira, 21 de junho de 2007

Até que a voz lhe doa!

Não há estilo musical que retrate melhor os Portugueses do que o fado. O fado é destino puro, não só na sua essência da palavra ( latim- fatum, i- destino) mas no seu modo de ser cantado. É uma melacolia triste, de aceitação do “ destino”, de contemplação da saudade.
O fado é solitário e sentido, quase que chorado ao nosso ouvido.

Ao Tuga puro corre-lhe fado nas veias, fado….e minis pronto!!Há uma melancolia incrustada e tirando as jolas e o futebol são poucas as que lhe propiciam felicidade e um sorriso honesto. O Tuga arrastasta-se e vive da saudade carregada de símbolos messiânicos: sebastianismo ou salazarismo…

Eu não tenho idade para ter vivido o salazarismo, mas começo a entender o que se queria dizer com “ censura”, e começo subitamente a perceber esse sentimento de saudade, muito embora não partilhe de todo…. Estranha-se que Salazar tenha ganho o melhor português de sempre… eu começo a achar que há mais salazaristas do que se pensa e que há uma nostalgia tímida e inconfessável pelo Fado, Futebol e Família , os três “F” do Estado Novo. De propósito ou não, acho que está ai a nascer um novo conceito de “socrazatismo”… isto olhando para as notícias que têm rebentado nos últimos tempos respeitantes ao PM.

Voltando ao fado… ao destino, e à melancolia, o nosso pessimismo foi contabilizado em números. Segundo o Eurobarómetro divulgado ontem em Bruxelas 88% dos portugueses confessa que a situação económica do país é má e que não há melhoras à vista. A cantiga do costume! Bem longe da média europeia, onde o grau de satisfação é de 52 %, e onde Holanda e a Dinamarca conseguem obter 99% de satisfação! Coisa impensável!

O mais incrível é que parece que a economia do país é uma coisa exterior a nós. “Está mal!” Está na ponta da língua!
Mas os créditos ao consumo no interior de muitas casas ( muitas mesmo) continuam a disparar os lucros para a Cofidis, Cetelem, Mediatis, Ge Money e por ai fora. Créditos com taxas de juro altíssimas com o isco de “ sem porquês”, para carros, viagens, roupa, telemóveis, plasmas…

Se está mal, ninguém se lembra! Se está mal não parece, olhando para os consumos não essenciais a disparar. Perdeu-se hábitos de poupança e uma lógica do “ amanhã logo se vê” impera.

Enquanto assim for, o pais continuará a cantar o fado, a cambalear de coxo, com uma melancolia cerrada….em qualquer esquina, em qualquer casa, em qualquer sítio, até que a voz lhe doa.

5 comentários:

Ze_Porvinho disse...

Cara vizinha rabodesaia,

Se pensarmos que antigamente se alguém ficasse a dever algo a outrem isso constituía uma questão de honra que, muito provavelmente, levaria o cidadão devedor a adoptar uma conduta drástica, devido à vergonha que tal acarretaria para si e para a sua família e que, hoje, impera precisamente o sentimento contrário, ou seja, quem não deve e tenta ser honesto é quem é tanso, sou de opinião que o caminho prosseguido em termos sociais pelo povo foi de regressão, e não de evolução.

E, estando o futebol de férias (Sub-21 à parte, pelo menos até logo), valha-nos Nossa Senhora de Fátima porque o nosso fado continua triste e não me parece que a tendência vá no sentido de alegrá-lo.

Dedilhem as portuguesas guitarras e as violas e façam-nas acompanhar de uma pungente e sentida voz, peguem nas taças de vinho e recordem, saudosos, os bons momentos da vida, adoptando uma conduta íntegra no dia-a-dia e, pelo menos interiormente, irão ver que se sentirão recompensados.

Não se deixem abater pelas adversidades, antes encontrem nelas, com serenidade, uma forma de se fortalecerem, aprendendo com os erros cometidos por Vós e pelos outros e lembrem-se, sempre, que a palavra impossível foi criada pelos homens que nunca se acharam capazes de algo.

Se todos seguirem tal postura (isso é que seria, caramba!) pode ser que o nosso triste FADO se transforme em alegre (re)VIRA(volta)...

Uma vez mais, e como sempre, tudo depende de nós.

Hic Hic Hurra

Rabodesaia disse...

Caro vizinho zé,

Concordo consigo! A lógica inverteu-se e agora qualquer família está endividada. A problemática é que o motivo do endividamento é muitas vezes superfulo e as familias vivem claramente acima das suas possibilidades.Como disse e bem, uma regressão.

Pode ser que o fado português, esta tendencia obstinada da melancolia e do saudosismo, algum dia mude ( VIRA)!

Que assim seja, cabe a cada um de nós essa mudança!

Ticha disse...

Mudam-se os tempos, mudam-se os costumes e em vez de evoluirmos regredimos, o endividamento e a falta de civismo são prova disso.

Ze_Porvinho disse...

Cara vizinha,

E uma vez que falamos de estilos musicais, que tal agarrarmos nos políticos nacionais e profissionalizá-los no CORRIDINHO?

Hic Hic Hurra

Anónimo disse...

RABO DE SAIA

SÓ QUERO INFORMAR QUE OS 3 FFS NO TEMPO DO SALAZARISMO ERAM:
FADO
FUTEBOL
E
FÁTIMA.
SÓ PARA REPÔR A VERDADE.